domingo, 10 de abril de 2016

Suécia X Brasil

Comecei a ler esse livro da jornalista Claudia Wallin e recomendo. "Um país sem excelências e mordomias", a Suécia deveria servir de modelo para vários países, especialmente o Brasil. 
Naquele país, políticos não têm nenhum tipo de mordomia. Não têm direito a carro nem motorista, andam de ônibus, trem ou metrô; lavam e passam as próprias roupas, cozinham a própria comida e moram em apartamentos funcionais minúsculos (alguns têm apenas 18 metros quadrados). 
Cafezinho só no corredor do Parlamento, que dispõe de uma máquina de café por andar. Cada político é responsável por lavar a própria xícara. Caso levem o cônjuge para morar com eles nos apartamentos ou quitinetes são obrigados a pagar metade do aluguel. A Suécia acredita que certas regalias facilitam a corrupção. Comprem esse livro. Vale a pena. 

Tricia Cabral

Conflito de gerações

Qual o papel da Geração Y no mundo intelectual? Só os melhores se sobressaem, mesmo com acesso mais fácil à informação que a Geração X (a minha). A minha geração cresceu sem internet e sem celular. O máximo que tínhamos em mãos era o console de um videogame. Tivemos acesso à tecnologia quando já tínhamos 18 anos, diferente da Geração Y, que foi agraciada mais cedo. 
Nos tempos de escola não havia Google, nosso maior fornecedor de conhecimento eram os livros, graças a Deus. Isso favoreceu quem escolheu uma profissão na área de Humanas. A Geração Z, por sua vez, nasceu com tudo nas mãos e diferentemente da Y soube aproveitar esse privilégio. 
Cabe à Geração Z corrigir, se tiver paciência e discernimento, essa bagunça intelectual. Oremos.

Tricia Cabral

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Até onde vai o fanatismo

Detesto fanatismo e ultimamente não tenho tido muita paciência com fanáticos por ideologia, futebol e religião. Todo fanatismo é doença mental. Toda tentativa de imposição é insana, e mais insana é a mente fraca que embarca e se submete a isso.

O único “Fanatismo” que aceito e compreendo é o belo poema de Florbela Espanca: “Minh’alma de sonhar-te anda perdida. Meus olhos andam cegos de te ver. Não és sequer a razão do meu viver, pois que tu és já toda a minha vida...”. Só a poeta portuguesa para suavizar definição de tal palavra.

E quando eu falo em fanatismo quero chegar exatamente na cegueira que ele provoca, nas frases bitoladas, na hipocrisia disfarçada de boa-fé. Os fanáticos mergulham em escuridões suicidas e se perdem nos meandros do que há de mais incongruente.

Na religião, por exemplo, como são patéticos os fanáticos que, em nome de uma divindade qualquer, matam, suicidam-se, corrompem-se e continuam crendo que não há nada de errado em “fazer o mal em nome do bem”. Hoje, o materialismo suplanta o espiritualismo. O dinheiro parece valer mais do que o amadurecimento da alma.

Do francês “fanatisme”, a palavra, ou melhor, o comportamento é definido como algo irracional, um apego desmedido a qualquer coisa – seja ela concreta ou abstrata. Há ainda quem mate – e se mate – por futebol, esporte que deveria ser, sobretudo, entretenimento. Torcidas organizadas comandadas por fanáticos não hesitam em exterminar pessoas em nome de seu “amor” pelo time.

O fanatismo politico-ideológico, tal qual o religioso, é capaz de desestruturar toda uma sociedade, em função de perseguições desumanas, embates violentos e ideias, na maioria das vezes, reacionárias. O fanático é incapaz de mudar. E pior: ele convive com você e vai tentar, em algum momento, manipular seu discernimento. Se você for forte, ele vai passar despercebido, mas se for fraco, você já era.

Por que escrevo sobre isso? Talvez porque já estejamos vivendo em uma sociedade dominada por fanáticos de todo o tipo. E porque percebo seriamente que não estamos fazendo nada para mudar isso. O filósofo e escritor francês Denis Diderot escreveu em seu tempo: “Do fanatismo à barbárie não há mais do que um passo”. É responsabilidade social evitar essa barbárie.

Tricia Cabral

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

É dura a vida do rabo preso

No dicionário Informal da Língua Portuguesa, disponível na internet, existem definições curiosas para alguns termos. Um deles é o popular rabo preso, classificado como “aquela pessoa que deve moralmente; relativo a alguma coisa que a pessoa fez indevidamente”. 

Ou seja, se fez algo indevidamente não pode falar dos outros. No site do tal dicionário Informal, os sinônimos para rabo preso são: comprometido, corrupto, ilegal, fora-da-lei. Outros termos ou palavras relacionadas são: infiel, que deve favor, sujo, tem algo a ser contado, saia-justa... e por aí vai. 


Quanto aos antônimos, podemos encontrar: legal, honesto, limpo. Quem tem rabo preso pode até ser legal – vai que a pessoa é simpática, agradável, tem bom humor, bom papo etc. –, mas honestidade é característica quase impossível para quem tem rabo preso. 


Porque não é simplesmente dever favor. Tanta gente deve favor e tem bom caráter e inúmeras qualidades. No caso do rabo preso legítimo, o favor devido geralmente envolve sujeira, falta de escrúpulos, praticamente nenhum caráter, entre outras dezenas de adjetivos.


Alguns exemplares da “espécie” dormem tranquilamente, sem preocupações avançadas, enquanto outros não conhecem a paz, vivem atordoados, aflitos. Bom mesmo é ser livre, compromissado com a verdade, sem amarras, sem mentiras, sem rabo preso. O antropólogo Roberto da Matta tem razão: “Uma sociedade de rabo preso não pode ser uma sociedade de protesto”. 



Tricia Cabral

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Confúcio tinha razão

Conviver com a hipocrisia para uns pode ser tão comum como beber água. Para outros, a hipocrisia – do latim hypocrisis e do grego hupokrisis – dói como um soco no estômago. Estes últimos, evidentemente mais coerentes, talvez sejam até mais passíveis de serem enganados, pois muitas vezes estão na boca do lobo e nem percebem. 

O primeiro grupo é cara de pau, desfila pela hipocrisia com a maior naturalidade do mundo. São justamente esses que não medem esforços para conseguir o que querem. Se for preciso bajular, bajulam; se for preciso mentir, mentem... e, pior, jamais se sentirão culpados por tomarem tais atitudes.


Hipócritas são oportunistas e os mais ardilosos são também manipuladores. A hipocrisia está em todo lugar, não há como detê-la sem sujar a roupa. E se há, em algum momento, disposição para lutar contra ela esteja certo de que você pagará um alto preço. 


Alto preço este que vale a pena pagar se você é a favor da verdade, da dignidade, da liberdade e não vende o caráter por cifra nenhuma. Vale a pena lembrar que, apesar de todos os adjetivos citados para definir a hipocrisia, ela é covarde e não tenha dúvida de que lá no fim o destino dela é sucumbir, vítima do próprio veneno. 


Para quê tanta tergiversação sobre hipocrisia? Olhe ao redor e acabará entendendo. Confúcio, pensador chinês, dizia: “Foge por um instante do homem irado, mas foge sempre do hipócrita”. 



Tricia Cabral

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A verdade sempre aparece

Mentir: afirmar aquilo que se sabe ser falso ou negar o que se sabe ser verdadeiro. Enganar, iludir, ludibriar. Um dos maiores nomes da nossa cultura, o escritor Machado de Assis deixou, além de um legado literário venerável, uma frase inexoravelmente verdadeira: “A mentira é, muitas vezes, tão involuntária como a respiração”. É verdade. Parece fácil mentir, mas ser descoberto também. Há vários tipos de mentirosos, mas existe um que ainda intriga os que optam pela verdade: o mitômano.

O mitômano é o mentiroso compulsivo. “Mente com tanta convicção que é capaz de acreditar na própria mentira. Faz da mentira sua principal qualidade. Adquire dependência da mentira e passa a ter necessidade de mentir”. Um estudo realizado pelo professor de psicologia da Universidade de Massachusetts (EUA), Robert Feldman, afirma que uma pessoa conta, em geral, três mentiras a cada 10 minutos. Parece uma afirmação exagerada, mas...


Conforme Feldman, existem oito maneiras de se identificar um mentiroso: 1) morde ou lambe os lábios; 2) cordas vocais ficam mais alteradas; 3) desvio do olhar enquanto conta a mentira e depois passa a olhar atentamente para ver se a “vítima” acreditou; 4) garganta e boca secas; 5) encobre parcialmente a boca; 6) Toca o nariz em momentos de tensão; 7) ergue levemente um dos ombros e 8) tem expressão facial falseada. 


Identificou alguém do seu convívio? Não é tão difícil assim. Mas é bom que se diga: a verdade sempre aparece.



Tricia Cabral

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Calar por quê?

Não é fácil ser inteligente vivendo numa estância de covardes. Na Manaus que só consegue respirar de elogios, qualquer crítica recebida é devolvida com ameaças. Parece que a verdade fere de tal forma que o único jeito é retribuir com os piores impropérios.

Aliás, impropérios são o modo mais light de dizer “Não gostei. Cuidado comigo!”. Quando a terra é de muro baixo, há os que trocam farpas e agressões, e a briga acaba sobrando, muitas vezes, para quem nada tem a ver com a história. Coitado do “pequeno” que resolve reagir contra o “grande”. É moralmente pisado e sua única saída é ficar calado.

Só que não.

Calados ficam os covardes. Há quem pergunte: por que tanta bala para pouco revólver? E há quem concorde e assine embaixo. Não importa. Liberdade de expressão é para isso. Desde que feita com responsabilidade que mal há em expressarmos o que pensamos, o que nos deixa indignados, assustados, decepcionados?

Viver em um mundo cor-de-rosa, além do arco-íris quando o céu está nublado, na iminência de um temporal é, no mínimo, covardia, cegueira e hipocrisia, sim. É preciso abrir os olhos e reagir ao que incomoda. Se vão gostar ou não, se vão ameaçar ou não, se vão agir ou não, não deixe de carregar consigo a bandeira da liberdade, do seu direito de viver como cidadão. Coragem, caro leitor, não é partir para a porrada. Coragem é ser inteligente vivendo numa estância de covardes.


Tricia Cabral